HVAC - Salas Negativas e Positivas
HVAC – CLIMATIZAÇÃO - AR CONDICIONADO – PAINEL EVAPORATIVO -
SALA NEGATIVA - SALA POSITIVA – CTI – CENTRO CIRÚRGICO -
CASA DE MAQUINAS
O termo HVAC inclui: Aquecimento, ventilação e ar condicionado.

Os principais grupos de contaminantes do ar em ambiente climatizado hospitalar são:
Partículas microbianas (fungos, bactérias, esporos e vírus) provenientes de sistemas de vácuo
por Venturi, do ar externo, do sistema de climatização, instalação predial e dos pacientes e
corpo clínico, eventuais carreadores dos contaminantes.
Em razão da preocupação no país com a utilização de sistemas climatizados e com a
qualidade do ar interior, o Ministério da Saúde aprovou a portaria 3.523 de 28/10/98, com o
objetivo de minimizar o risco potencial à saúde dos usuários, em face da permanência
prolongada em ambientes dotados de sistemas de ar condicionado. Essa portaria regulamenta
os parâmetros dos sistemas de climatização.
Um dos requisitos mais importantes de um sistema de ar condicionado é a filtragem, pois é
através dela que se obtém a pureza do ar.
Exige-se a utilização de, no mínimo, um filtro da classe G1, classificado como grosso, e com
eficiência de 60-74%.
Em hospitais, em áreas que requerem ventilação, devem ser utilizados filtros capazes de
reter microrganismos (Ar ultra limpo).
A obtenção do ar ultra limpo também exige a utilização de pré-filtros, com eficiência de 20-
40%, anterior à passagem do ar em filtros absolutos. Estes filtros têm eficiência acima de 90%,
mas quando instalados nas condições referidas apresentam eficiência de quase 100% na
remoção de partículas de 1-5μm de diâmetro.
Outro sistema adotado é o da utilização de filtros HEPA (high efficiency particulate air),
que apresentam 99,97% de eficiência.
Infecções hospitalares
As infecções hospitalares de origem exógena são transmitidas através de contatos diretos e
indiretos, veículo comum, aerossóis e vetores.
As infecções respiratórias estão, juntamente com as urinárias e cirúrgicas, entre as síndromes
infecciosas mais freqüentes em todos os países.
No ambiente hospitalar é maior o risco de infecções de trato respiratório baixo (pneumonias),
pela inalação de aerossóis contaminados, com menos de 5μm de diâmetro e, menos
freqüentemente, em infecções pós-cirúrgicas que se originam na sala de cirurgia. Nestes
últimos casos, as infecções sobrevêm à deposição, sobre a ferida cirúrgica, de partículas
contendo microrganismos.
Quartos de isolamento com ventilação especial estão indicados para pacientes com
doenças infecciosas contagiosas como herpes-zoster disseminado, varicela, sarampo e
tuberculose pulmonar ou laríngea confirmada/sob suspeita.
Ventilação especial, também, é indicada para locais cujos procedimentos médicos
produzam partículas aerossolizadas contendo agentes infecciosos, principalmente o
bacilo da tuberculose.
Os locais de maior risco são: sala de broncoscopia, de escarro induzido, unidade de terapia
intensiva e sala de autópsia.
Nesses ambientes são exigidos: pressão negativa, seis ou mais renovações do ar por
hora, janelas seladas, fluxo do ar no sentido do ambiente limpo para o sujo e filtração do
ar c/ eficiência superior a 90%.
As áreas com os pacientes infectados são consideradas "sujas", tendo pressão
negativa, ou seja, o ar retirado supera em 15% o fornecido.
Quando ocorre a recirculação do ar, deve ser utilizado o filtro HEPA; assim, previne-se o
escape do ar contaminado para o restante do hospital e, também, reduz-se a
concentração de microrganismos no interior da sala.
A instalação de ventilação com pressão negativa é mais complexa do que a de pressão
positiva, por ser mais facilmente comprometida por pontos de infiltrações de ar, o que
exige atenção extra a todo sistema.
Nas unidades que mantêm pacientes imuno comprometidos, como as oncológicas e de transplante de medula óssea, exige-se pressão de ar positiva. As suas características estão referidas também na Tabela 1.
A ventilação exige a utilização de filtros HEPA e pressão positiva, quando o fornecimento de ar excede em pelo menos 10% aquele do ar exaurido.
Em decorrência do alto custo, é difícil oferecer esses sistemas para todos os pacientes imuno comprometidos e procedimentos de controle de ventilação menos rigorosos são muitas vezes recomendados, destacando-se, particularmente, a utilização de filtros com eficiência de 95%, que retêm partículas com 0,3μm.

As principais características das salas cirúrgicas estão na Tabela 1 acima.
Grandes volumes de ar filtrados, através de filtros de alta eficiência, são introduzidos por entradas localizadas no teto das salas, com força que permita a sua difusão, obtendo-se assim uma área ventilada em torno do sítio cirúrgico, que é constantemente "lavado" pelo fluxo de ar ultra limpo.
O projeto de instalação do sistema de refrigeração deve ser desenvolvido de tal forma que o ar filtrado retire as partículas infecciosas produzidas pela equipe cirúrgica, em direção às margens da sala, onde elas retornam aos dutos, sem que possam recircular na área próxima ao campo cirúrgico.
Quanto maior a quantidade de objetos, tais como mesas e armários que interrompam esse fluxo aéreo, maior a turbulência e a possibilidade de altos níveis contaminantes.
Os sistemas de ventilação, usualmente referido como fluxo laminar fornece ar livre de partículas com mais de 0,3μm de diâmetro. É recomendado em cirurgias de próteses ortopédicas em que predominam as artoplastias e próteses de joelho; o seu uso está associado a incidência mais baixa de sepse pós-operatória.
Padrões de partículas
O nível de contaminantes biológicos do ar de interiores varia enormemente em função do tempo e espaço, de forma que um banco de dados sobre a distribuição de níveis de contaminação deve ser suficientemente grande para fornecer informações úteis para a gerência de risco.
A avaliação dos resultados de amostras biológicas de ambientes deve ser feita com considerável cuidado. A natureza da coleta e análise é muito dependente de diferenças nas condições ecológicas (clima, estação do ano e geografia), o método de coleta e os procedimentos de laboratório (meio de cultura utilizado, temperatura e tempo de incubação).
Os métodos tradicionais de coleta envolvem a passagem forçada do fluxo de ar em um amostrador onde os microrganismos são depositados sobre a superfície de meios bacteriológicos, onde são feitas as contagens.
A análise final compreende vários dias e muitos microrganismos não são cultiváveis sem o uso de meios ou condições de cultivo especiais, além da possibilidade de crescimento confluente por contaminação excessiva.
Não há métodos e padrões amplamente aceitos de análise/amostragem de agentes microbianos no ar, dificultando o estabelecimento de padrões destes agentes suspensos no ar de interiores.
Comentários finais
O monitoramento do ambiente interno deveria ser usualmente recomendado quando da comprovação, por médicos, de doença com a ocupação do ambiente, evidência visual queixa dos ocupantes, que sejam sugestivas de contaminação biológica.
Como as relações entre dose/exposição por bio-contaminantes de interiores são usualmente pouco conhecidas, estudos integrados, incluindo pesquisadores de área básica, clínicos e epidemiologistas, são necessários para auxiliar no diagnóstico de doenças; estabelecer limites de exposição para os usuários; definir qualidade aceitável para o ar de interiores; estabelecer protocolos e estratégias para o monitoramento do ambiente de interiores e ainda, avaliar a aplicabilidade e relação de custo/efetividade das medidas, nas diversas instalações no Brasil. |